terça-feira, 27 de maio de 2008

Momento Zen


A 10ª música é um instrumental e foi a segunda música de um conjunto de três que surgiram quase em simultâneo. A vontade de acabar o álbum era cada vez mais forte e o fim já se fazia sentir bem perto.

Após ter concebido a música anterior, um ambiente melancólico e mórbido pairou sobre as escamas do bakalhau preto. Foi uma maneira de descomprimir da violência da música anterior, através de sequências de acordes confortáveis mas insólitos. Desta vez a música não sugeria voz pois a sequência de acordes era envolvente e falava por si.

A batida faz lembrar o primeiro instrumental que fizemos, que nunca chegámos a editar a não ser em cassete para ouvirmos no rádio do carro. Alguém há-de ter isso... ( já agora, o segundo instrumental que fizemos foi gravado no álbum Ego Trip e é uma faixa escondida no fim da última música. Está no minuto '13 da música "Demons" aka "Snomed").

Sendo assim, é o terceiro instrumental (na verdade o quarto)composto pelos Mindlock. Embora no EP Manifesto não se tenha incluído um instrumental, o facto é que existia um e chegámos a tocá-lo ao vivo ainda na década de 90. Haverá uma relação entre os trabalhos que gravámos e a concepção de músicas instrumentais? O facto é que a cada fase da banda, a cada álbum concebido está associada uma música instrumental. Não deixa de ser uma curiosidade interessante. Talvez um dia o primeiro instrumental fique disponível para todos ouvirem, mas primeiro, à que procurá-lo por entre as cassetes antigas...

A melodia vai beber um pouco aos ambientes utilizados pelos Opeth em algumas passagens melódicas, no entanto, é intercalada com um riff bastante pesado que se vai desenvolvendo ao longo da música... É algo que pensamos que possa vir a enriquecer o álbum e mesmo alguns espectáculos ao vivo.

O título... ainda não pensámos nisso (uma vez que não há letra). Talvez seja "O- Instrumental-Deste-Álbum" (que ainda não tem nome). Mas, com nome ou sem nome, o facto é que, juntamente com "Endless Fall", este vai ser o segundo momento e o mais zen do álbum.

P.S. - Durante a digresão do Ego Trip eu e o Miguel fizemos um instrumental e também o tocámos ao vivo. Esse tinha título dado por ele: "Beyond the Mountains of Kukuvanya" :) grande maluco!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Arma Secreta


Após algumas semanas a ensaiar e a reflectir sobre as músicas, já se falou em gravar, com quem, a que preço, enfim, andámos a sondar o mercado e a investigar possíveis métodos, pessoas e prazos para a gravação do novo álbum. O facto é que, durante as semanas que passaram, surgiram 3 novos temas, o que nos dá a entender que o material para o novo álbum está praticamente pronto. Já são onze músicas no total. Pensámos em gravar apenas dez, ou gravar as onze e escolher uma para não aparecer no álbum e servir de banda sonora a um futuro menu de DVD ou coisa do género. Enfim... o facto é que a inspiração também se começa a esgotar e o risco de nos tornarmos repetitivos começa a aumentar ao fim de algumas músicas. Creio que dez é o número ideal (antes de achar que era o nove), mas... a ver vamos.

Deixámos então a fase de composição de lado e começámos a falar dos planos para o futuro. Há que pensar no conceito de todo o álbum, da capa, das músicas, das letras, reflectir sobre o que fizemos e começar a ensaiar para tocar ao vivo. Sem dúvida que queremos dar concertos antes de ir para estúdio. Provavelmente, muitos dos arranjos irão mudar, muitas das partes irão ficar diferentes ou postas de lado, enfim, a melhor maneira de pre-produzir é mesmo "rodar" os temas ao vivo e perceber se há lacunas em relação à ideia que queremos passar. Uma coisa é a garagem, outra é o palco...

A nona música (e só vou falar desta por enquanto) é um desabafo, tanto literal como musicalmente. Digamos que é uma música podre, simplesmente a abrir, sem grandes rodeios, pelo que se distingue das outras. Esta é mesmo para o pataço e já consigo imaginá-la cheia de strobs e cervejas a voar. Uma vez que fala de uma força emergente que espera a hora certa de se revelar decidimos chama-la de "Secret Weapon". Mais tarde, por acharmos que era um nome pouco agressivo para retratar a brutalidade da música alterámos o título para "Unleash The Beast".

Pouco mais há para dizer acerca desta música. Foi feita em casa tal como as outras, num ímpeto de raiva e de vontade de sair da garagem. Desta vez nem gravei nada, tinha uma ou duas malhas fortes e siga de montar tudo num ou dois ensaios, pois em casa cheguei à conclusão de que, desta vez, nem vale a pena complicar muito. É a partir e pronto! A letra foi revista e baptizada pelo Carlinhos. Quanto à batida... é de ficar com o coração aos pulos pela caixa torácica. Mas tudo é exequível na maior das calmas quando trabalhamos com um autêntico maestro!