quinta-feira, 10 de abril de 2008

Trabalho de equipa



Passámos várias semanas a ensaiar e a arranjar as sete músicas novas. Continuar a compor é importante mas às vezes é preciso parar e olhar para trás. Sempre que pegamos numa música que não tocávamos há algum tempo apercebemo-nos de partes que precisam de ser melhoradas ou de passagens que não estão muito bem definidas. Ás vezes não se pode andar para a frente sem arranjar o que está para trás, e foi isso que fizemos. Precisávamos de dar uma vista de olhos geral sobre o repertório e o facto é que mudámos algumas coisas (para melhor).

Já há alguns ensaios que o Amadis vinha sugerindo uma nova batida, mas acompanhá-lo era mentira. Não me ocorria mesmo nada. Estava bloqueado. Só pensava nas músicas que já tínhamos e no quão díficil era de não me repetir... Tudo o que me vinha à cabeça era familiar demais ou parecido com Pantera. Enfim... tinha bloqueado. Comecei a desesperar pois as ideias estavam a esgotar-se e a inspiração tinha-me abandonado. Tornara-me um verdadeiro mindlock, um mindblock ou tudo o que acabe em "ock" que seja impeditivo de criar algo novo.

Num belo ensaio, o Miguel entra todo contente dizendo que tinha duas malhas para mostrar e que poderiam ser o início de uma nova música. Curiosamente numa delas a batida que o Amadis vinha tocando no fim dos ensaios encaixava-se perfeitamente. Já estava! Era o mote perfeito para a nova música.
Em casa o instrumetal começou a ganhar forma junto ao computador. A ideia de ter que fazer uma música com aquelas malhas facilitava as coisas. Não tinha que começar tudo do zero e a primeira coisa que fiz foi gravar a batida do Amadis e acrescentar-lhe as malhas do Miguel. Ficou brutal. Acrescentar novas ideias foi quase instantâneo.

Numa tarde eu e o Amadis reunimo-nos ao computador e fizemos um brainstorming de ideias para acabar a música. Foi mais fácil que pensávamos. Um refrão bem pesado contrastava com as rapidez das outras malhas. O ritmo era binário mas tinha uma divisão ternária que permitia dar diferentes acentuações às mesmas partes. A meio da música o andamento mudava e os ambientes monocórdicos da guitarra pediam um solo à maneira marroquina. Era tudo meio confuso mas soava-nos bem.

Na sala de ensaio rapidamente corrigimos algumas passagens que mais se pareciam com colagens à papo-seco e demos uma estrutura mais fluida à música. O Carlinhos sugeria que o solo de guitarra fosse mais arrojado, o que me fez ter que agarrar no whammy e no floyd e começar a fazer o bicho guinchar.

Já só faltava a letra e mais uma vez, inspiração... nada! Escrever sobre o quê? Após algumas folhas deitadas ao lixo desisti. Apenas tinha o ritmo da voz gravado na cabeça mas precisava de palavras para o preencher. Bendito messenger. Certa noite o Carlinhos aparece no MSN bombardeando-me com frases soltas um tema vasto, profundo e bastante complicado para se escrever sobre ele: as bebedeiras.
É impossível escrever sobre bebedeiras sem nos rirmos mas infelizmente a ideia não era essa. Queríamos dar um tom mais pesado ao assunto em questão introduzindo uma visão mais decadente da coisa.

Depois de algumas trocas de pensamentos online e alguns ensaios "Alcohol Ecstasy" estava pronta. A banda sonora perfeita para o decadentismo alcoólico.