
“Baterista: Procura-se”. Espalhámos a mensagem e seguiram-se as audições. O método que utilizámos foi o seguinte: o baterista candidato ouvia as músicas que considerávamos mais importantes dos dois registos (
Manifesto e
EgoTrip) e se conseguisse tocá-las do princípio ao fim era meio caminho andado para entrar para o grupo. Nesta base, destacou-se um antigo baterista que já tinha desenrascado a banda numa altura em que o baterista original deixara o grupo temporariamente… enfim, tempos de crise.
SHOWCASE @ LIVE MUSIC,FARORapidamente começámos a ensaiar e a primeira coisa que fizemos assim que sentimos que aquela era a pessoa certa para o grupo foi marcar um showcase de apresentação do novo elemento dos MINDLOCK na
LIVE MUSIC, em Faro. Contudo, os temas que iríamos apresentar eram apenas músicas antigas trabalhadas nas audições, mas a nossa vontade de tocar ao vivo já nos vinha fazendo comichão. O concerto correu bem e foi editado um DVD dessa actuação. Quanto ao resultado disso, apenas serviu para mostrar que estávamos vivos e de boa saúde, porque material novo…nada!
(ver concerto) De volta para os ensaios, lembrámo-nos de fazer uma versão do “Through the Never” dos Metallica, para quebrar um bocado a tensão a que o novo baterista estava sujeito. Afinal, muito das músicas que ele tinha que tocar tinham sido feitas com outro baterista.
XXII SEMANA ACADÉMICA DO ALGARVEApós termos a versão completa (que mais era como uma cover do original, mas berrado em vez de cantado), a oportunidade de irmos tocar à Semana Académica do Algarve surgiu, e fomos obrigados a pensar no assunto uma vez que o bichinho de tocar ao vivo não nos deixava em paz. O facto de podermos tocar no intervalo das bandas, noutro palco, conferia-nos a possibilidade de ter um palco só para nós e de ter a atenção do público. Apenas tínhamos que tocar durante 25 minutos o que tornou praticamente impossível dizer que não ao convite dadas as circunstâncias.
Assim se estreou a nossa versão dos Metallica junto do público, que encheu o recinto e vibrou com os temas já conhecidos, mas mais uma vez, material novo...nada!
(ver concerto) De volta para a sala de ensaio, tínhamos agora tempo para começar a ensaiar os tão esperados temas originais novos. Tinha feito duas músicas e tinha que escolher por onde começar. Agarrei-me ao PC, escrevi a bateria de uma delas num programa rasca e gravei duas guitarras por cima, (o que dava a sensação de ter um baixo lá por trás). Passei tudo para CD e assim foi. Cheguei à sala de ensaio e mostrei a música no auto-rádio do carro do baixista. Todos gostaram, apesar de reconhecerem que estava ligeiramente diferente daquilo que costumávamos tocar, num tom diferente, influenciada pelo
trash metal antigo de flying V's vermelhas e gadelhas loiras. No entanto, tínhamos a consciência de que isso não era obrigatoriamente mau. A música ficou pronta num instante e faltava agora a letra. Acredito que tenha sido uma lufada de ar fresco para o baterista saber que nunca aquela música tinha sido tocada por outro.
Chegando a casa, escrever uma letra para aquela que seria a primeira de muitas músicas não foi difícil. A inspiração surgia de todos os lados, parecia que a letra sempre tinha estado lá. não me espantei quando no ensaio seguinte o vocalista me abordou com uma letra sua para aquela música. Juntamos o melhor das duas e… ZÁS!!! Assim nasceu
"Blockage" a primeira música de uma nova fase da banda. A letra trata precisamente de querer ultrapassar barreiras que a vida nos coloca. No entanto, a verdadeira barreira começou a surgir quando o novo baterista apresentou as suas primeiras “baldas” aos ensaios. Apesar de treinar quase diariamente, o facto era que muitas vezes, à hora do ensaio ele não estava lá. Mas pronto...
LIVE @ IPJ, SETÚBALSubitamente, um telefonema de um amigo - “Hey, pessoal! Venham tocar aqui ao IPJ de Setúbal, fechar um concerto com bandas amigas!” – e lá fomos nós na carrinha, mais o baterista, o tema "Blockage" e os Metallica.
O concerto correu bem apesar do nosso técnico de som não nos ter acompanhado. Houve mosh simultaneamente em dois sítios diferentes da pequena sala em que tocámos, bebemos e berrámos que nem uns leões. A seguir ao concerto as criticas à nova música eram positivas, diziam que era uma das melhores… enfim, viemos para casa contentes.
(ver cartaz do concerto) No entanto, o baterista tornara a cancelar ensaios, muitas das vezes sem avisar, para ir em viagens de trabalho. Tinha mais uma música para mostrar e tínhamos que a ensaiar todos. Teríamos que ser pacientes se quiséssemos continuar com ele, mas feliz ou infelizmente, foi ele próprio que abandonou o barco passado algum tempo. Mais uma vez, desenrascou a banda numa altura em que o baterista original deixara o grupo. Irónico, no mínimo...